A provável continuação de ‘Avenida Brasil’, prevista para 2027 - depois de 'Quem Ama Cuida', de Walcyr Carrasco -, promete ser um dos maiores desafios da Globo na nova era das novelas.
Após a imensa estratégia de divulgação do remake de ‘Vale Tudo’, o novo projeto, ainda mantido sob sigilo, segundo a colunista Carla Bittencourt, do portal Leo Dias, já nasce com enorme expectativa e carrega tanto potenciais acertos quanto riscos de tropeços.
Caso a continuação de ‘Avenida Brasil’ se confirme, ela chegará repleta de expectativas, principalmente neste momento em que a Globo renuncia a remakes para apostar em sequências.
Entre os acertos evidentes está a volta de personagens icônicos como Carminha (Adriana Esteves), Tufão (Murilo Benício) e Nina (Débora Falabella), figuras que marcaram uma geração e permanecem vivas no imaginário popular. O carisma e a força dramática desse trio podem ser decisivos para conquistar novamente o público.
‘Avenida Brasil’ foi um fenômeno raro em 2012, sendo uma das últimas novelas da Globo a atingir mais de 50 pontos no ibope no capítulo final. A obra conquistou crianças, jovens e adultos, misturando crítica social, humor e suspense com maestria. Ver esses personagens novamente na tela já é, por si só, um poderoso chamariz.
Outro ponto a favor é a volta da parceria entre João Emanuel Carneiro e Ricardo Waddington. O autor, dono de sucessos como ‘A Favorita’ e ‘Da Cor do Pecado’ merece um novo reconhecimento após o fracasso de ‘Mania de Você’. Já o ex-diretor de novelas foi recontratado pela emissora justamente para assumir o projeto.
Por outro lado, há riscos claros que podem comprometer a coerência da continuação. A Globo, historicamente, faz ajustes apressados em tramas quando a audiência não responde bem, o que pode resultar em mudanças bruscas de foco, personagens mal explicados e viradas incoerentes.
Além disso, o excesso de merchandising social, se feito de forma escancarada assim como ocorreu em ‘Vale Tudo’, pode quebrar o envolvimento do público.
Outro desafio está na diferença de contexto: o público de 2012 não é o mesmo de 2025. As redes sociais moldam percepções em tempo real, e qualquer deslize se transforma em meme. É preciso cuidado para atualizar sem descaracterizar.
Incluir pautas modernas apenas para parecer 'atual' pode ser um tiro no pé. Lembra o caso do bebê reborn da novela de Manuela Dias? Por que existiu?
Há também o perigo de distorcer personagens clássicos. Carminha, por exemplo, terminou pobre e aparentemente redimida. Seria coerente transformá-la novamente em uma vilã cruel? Se não houver uma justificativa convincente, o público pode rejeitar. O mesmo vale para Tufão e Nina: recomeçar suas trajetórias sem consistência emocional seria um erro grave.
Por fim, o time criativo não deve evitar inserir personagens desnecessários apenas para 'modernizar' ou preencher espaço. A força de 'Avenida Brasil' estava na coesão dos núcleos e na intensidade dos conflitos.